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Mensagens

A mostrar mensagens de setembro, 2026

Os rebuçados da imigração e a falácia das contas certas feitas com números errados

Há um vídeo, publicado há anos no Youtube , que me apareceu hoje, republicado no Facebook  por um grupo de fachos , e que quero comentar. O dito vídeo é conhecido como o «gumball speech» e nele um activista anti-imigração utiliza milhares de rebuçados para representar os pobres do mundo e um único copo para representar os imigrantes que os Estados Unidos recebem anualmente. A mensagem pretende ser simples e devastadora: perante três mil milhões de pessoas a viverem em situação de pobreza extrema, receber um milhão de imigrantes por ano seria estatisticamente insignificante e, por isso, a imigração não pode ser considerada uma solução humanitária para a pobreza mundial. À primeira vista, parece certo, o que é normal: a vantagem do populismo é que é fácil concordar com ele. O problema é que a força visual da demonstração esconde fragilidades lógicas e factuais consideráveis. A primeira delas é a mais básica de todas: os números utilizados estão errados ou, pelo menos, profundam...

É melhor viver numa ditadura igualitária, ou numa democracia desigual?

  O gráfico acima representa o coeficiente de Gini , que mede a desigualdade dos rendimentos, em função do índice de democracia, publicado pelo The Economist , que mede — surpresa! — a qualidade da democracia. Portanto, para simplificar e reduzir a perífrase, chamemos desigualdade ao coeficiente de Gini, democracias aos países com índice de democracia acima de 6 e ditaduras aos países com índice de democracia abaixo de 6. Olhando para o gráfico tal como ele está, não diz grande coisa. Mas, se soubermos que a desigualdade média é de 36,7, um padrão interessante toma forma: quase dois terços (61,2%) das democracias têm um nível de desigualdade abaixo da média, enquanto mais de metade (51,5%) das ditaduras têm um nível de desigualdade acima da média. Se compararmos os extremos (democracias plenas, acima de 8, com regimes autoritários, abaixo de 4), o padrão é ainda mais claro: 87,0% das democracias plenas têm um nível de desigualdade abaixo da média, enquanto 48,7% dos regimes autorit...