Eu nada sei de futebol e menos ainda sei da sociologia do futebol. Mas aprecio muito um texto que a historiadora Raquel Varela escreveu há já uns anos e costumo citá-lo e recomendar a sua leitura. O original está à distância dum clique. Mas, como, na Internet, tudo é efémero, a transcrição vem já aqui abaixo, não vá um dia a hiperligação acima vir a dar para nenhures, e de modo a poder, se isso acontecer, continuar a recomendar a sua leitura a pessoas com quem me vou cruzando. Eu — que não sei uma única regra do jogo — passo a explicar-vos o que é o futebol em Portugal. E porque há um Berardo no meio disto tudo, ou um Cristiano Ronaldo que foge aos impostos. O Benfica ou outro grande não são clubes. Não são grupos de pessoas que se juntam para jogar futebol. São, principalmente hoje, um negócio. Tanto que se chamam S.A.D., isto é, sociedades anónimas (anónimas!), capitalizadas através da banca, que forma juros com esses capitais — dinheiro que não vem de lado algum a não ser, mais ced...
Quando sugerimos um livro, ou um artigo de jornal, falamos em sugestão de leitura. Quando passamos à leitura online , o termo pode ser reutilizado, sem perda de significado. No entanto, não conheço uma expressão equivalente, para quando se pretende sugerir um programa de televisão, ou uma série, ou algo do género; e muito menos quando se trata dum vídeo no Youtube . Fica uma tentativa, que dá o título: sugestão televisiva. Mas, basicamente, o que pretendo dizer é: se tiveres oportunidade, vê este vídeo . É uma entrevista ao historiador Yuval Noah Harari, em que ele discute o paradoxo da inteligência humana, argumentando que a nossa tendência autodestrutiva deriva de redes de informação deficientes, que privilegiam a ordem e a ficção em detrimento da verdade. Na sua visão, a informação funciona historicamente como um mecanismo de conexão social e não como um espelho da realidade, o que permite que mitologias e ilusões dominem o discurso público. A ascensão da inteligência artificial agr...