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É melhor viver numa ditadura igualitária, ou numa democracia desigual?

 

O gráfico acima representa o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade dos rendimentos, em função do índice de democracia, publicado pelo The Economist, que mede — surpresa! — a qualidade da democracia. Portanto, para simplificar e reduzir a perífrase, chamemos desigualdade ao coeficiente de Gini, democracias aos países com índice de democracia acima de 6 e ditaduras aos países com índice de democracia abaixo de 6.
Olhando para o gráfico tal como ele está, não diz grande coisa. Mas, se soubermos que a desigualdade média é de 36,7, um padrão interessante toma forma: quase dois terços (61,2%) das democracias têm um nível de desigualdade abaixo da média, enquanto mais de metade (51,5%) das ditaduras têm um nível de desigualdade acima da média.
Se compararmos os extremos (democracias plenas, acima de 8, com regimes autoritários, abaixo de 4), o padrão é ainda mais claro: 87,0% das democracias plenas têm um nível de desigualdade abaixo da média, enquanto 48,7% dos regimes autoritários têm um nível de desigualdade acima da média.
Isto tudo vem a propósito duma frase que ouvi, há uns quinze anos, dizer a uma pessoa holandesa que conheci:
— Prefiro viver numa ditadura que me dê boas condições de vida, do que numa democracia que me faça pobre.
Dito assim, até pode fazer sentido, à primeira vista e numa análise abstracta. Mas, olhando para a realidade mundial, que é o que realmente interessa, o que se vê é que, numa ditadura, a riqueza tende a estar mais concentrada nas mãos de alguns, e que, em democracia, a riqueza se distribui de forma mais equitativa. Por consequência, a não ser que se seja um beneficiário directo do regime, é muito mais provável ter-se boas condições de vida numa democracia do que numa ditadura.
Além de que, claro está, numa democracia, podemos sempre substituir o Governo por outro, que melhore as nossas condições de vida, coisa que não é tão fácil de fazer numa ditadura…

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