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O que as eleições presidenciais nos dizem sobre o perfil dos eleitores

Numas eleições, cada pessoa tem os seus motivos para votar em quem vota ou para se abster.
Mas, olhando para a caracterização socioeconómica e demográfica dos eleitores que se vê na imagem acima, há dois padrões fáceis de perceber e que importa relevar: 1 em cada 3 analfabrutos (gente que não completou o secundário) votou Ventura na primeira volta, contra 1 em cada 10 doutores (gente que completou o ensino superior) e, mesmo assim, o 1 em 10 deve ser doutor da mula ruça; e 1 em cada 4 homens votou Ventura, contra 1 em cada 5 mulheres. Portanto, os homens querem voltar ao tempo em que mandavam nas mulheres; e os ignorantes são só ignorantes.
Mas vale a pena também observar um detalhe relativamente à segunda volta.
Tal como se pode ver no gráfico acima, o candidato excluído na primeira volta que mais votos deu a André Ventura, quer em termos absolutos, quer em proporção dos votos que tinha recebido, foi Cotrim de Figueiredo. Não surpreende: o neoliberalismo é, na sua essência mais pura, incompatível com a democracia — exactamente como o populismo nacional-socialista do Chega, do qual a Iniciativa Liberal está mais próxima do que julga ou nos quer fazer parecer. Os seus eleitores já perceberam isso, aparentemente: é-lhes indiferente ter um liberal ou um populista de extrema-direita como presidente da República.

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